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04/jan
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Na prova de Linguagens e Códigos, no Enem, interpretação é chave

Publicado por Tatiana Notaro em ENEM às 14:00

A prova de Linguagens e Códigos abre o primeiro dia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), 17 de janeiro, juntamente com a redação e a prova de Ciências Humanas. Dos candidatos são exigidos conhecimentos em interpretação de texto, funções da linguagem, habilidades em construir conexões. E não pense que a norma culta fica de fora: é um dos critérios mais importantes da redação.

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“Os alunos pensam que o Enem é só interpretação, mas não é”, alerta a professora de Língua Portuguesa do Colégio GGE, Katilini Oliveira. “Até para ajudar na interpretação, uma das coisas que o candidato tem que focar é nas funções de linguagem. Cada texto que aparece na prova pertence a uma delas. É interessante, antes de resolver a questão, o candidato a enquadrar em uma função de linguagem. Como elas são bem distintas, isso é importante para resolver a questão, para descobrir o que ela pede”, explica.

Depois, o candidato precisa saber a que gênero pertence determinado texto. “Quando o estudante percebe isso, já tem meio caminho andado para o que a questão vai pedir. E uma das coisas que o Enem mais cobra é intenção comunicativa”, continua Katilini. Ela se refere aos tipos publicitário (nele, se a intenção é conscientizar, fazer o interlocutor mudar de atitude) ou os gêneros digitais (uma tônica no Enem), por exemplo. “É importante que o candidato observe os memes, os chats, os emojis e as figurinhas, um gênero novo”. Além disso, histórias em quadrinhos, cartoons e charges.

Tirinhas são amplamente utilizadas na prova do Enem. Na imagem, Mafalda, do cartunista Quino | Imagem: Reprodução

Para Katilini, 2020 foi um ano que estimulou muito o autodidatismo dos alunos – e isso tende a ser muito positivo no Enem, que é uma prova que não busca apenas o conhecimento escolar, mas que investiga amplamente a capacidade e a visão de mundo dos estudantes.

Literatura

A literatura também é parte da prova de Linguagens e Códigos e, logo de cara, o professor do GGE, Paulo Neto, lembra que o Enem não se fixa ao conteúdo, não dá espaço para simplesmente decorar datas e características. “A banca quer que o aluno demonstre sua capacidade de estabelecer relações entre as obras e as temáticas por elas apresentadas”, reforça.

Sendo assim, nessa reta final, Paulo Neto diz que é preciso relembrar assuntos relacionados às vanguardas europeias, ao modernismo, à literatura contemporânea, incluindo concretismo, neoconcretismo, poesia marginal, tropicália, movimento pop e arte, entre outros.

“Exploramos muito isso em sala de aula: despertar em nossos alunos e alunas a capacidade de estabelecer conexões, que tipos de relações podem haver entre uma obra contemporânea e uma mais antiga”, ensina.

A exploração da literatura somente com nomes de obras, autores e temáticas é muito relacionada com os vestibulares mais tradicionalistas, segundo Paulo Neto. “Sendo sincero, acho o formato do Enem fantástico. Ele retira um paradigma mecanizado do ensino da literatura. Não é memorizar, é refletir sobre”.